Prof.Dr.Luis Carlos Figueira de Carvalho

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ESCORBUTO

ESCORBUTO

Pesquisa realizada por:GUSTAVO NASCIMENTO KOFFS

DISCIPLINA BIOQUIMICA METABÓLICA. CURSO DE MEDICINA. UEMA. CAXIAS-MA

 

1) Introdução

Neste trabalho será abordada a correlação clínica 16.6 do livro "Manual de Bioquímica com Correlações Clínicas", de Thomas Develin, indicado pelo professor. Diante disso, será discutida a incapacidade, devido a sua genética, dos seres humanos produzir o Ácido Ascórbico, a popular vitamina C, e as complicações que a sua falta pode gerar no organismo.

2) Histórico

           Por muito tempo, o escorbuto foi uma doença comum, principalmente entre os navegadores, que não dispunham de frutas cítricas ou verduras frescas em suas viagens. Vasco da Gama, por exemplo, perdeu mais da metade de seus marinheiros quando contornou o Cabo da Boa Esperança entre 1497 e 1499. Essa trágica ação do escorbuto é descrita pelo escritor português Luiz de Camões em sua obra clássica "Os Lusíadas" :

 

"E foi que, de doença crua e feia,

A mais que eu nunca vi, desempararam

Muitos a vida, e em terra estranha e alheia

Os ossos pera sempre sepultaram.

Quem haverá que, sem o ver, o creia,

Que tão disformemente ali lhe incharam

As gingivas na boca, que crecia

A carne e juntamente apodrecia?

Apodrecia cum fétido e bruto

Cheiro, que o ar vizinho inficionava.

Não tínhamos ali médico astuto,

Cirurgião sutil menos se achava;

Mas qualquer, neste ofício pouco instruto,

Pela carne já podre assi cortava

Como se fora morta, e bem convinha,

Pois que morto ficava quem a tinha."

 

           Além disso, o escorbuto não afetou apenas os navegadores das grandes navegações. De fato, grande parte da população européia, até ao final da Idade Média, eram acometidos pelo escorbuto durante os meses de inverno, porque não dispunham de alimento fresco, pois o ácido ascórbico (AA) pode ser decomposto por enzimas específicas presentes no próprio vegetal, durante sua estocagem. O estudo sistemático da relação entre a dieta e o escorbuto só foi iniciado em 1747, por James Lind, um médico da esquadra naval britânica.

3) O Ácido Ascórbico 

           O processo de síntese de ácido L-ascórbico em vegetais, apesar da importância nutricional, ainda não está completamente esclarecida.Já os seres humanos e alguns primatas, são os únicos mamíferos incapazes de sintetizar o AA. Neles, a deficiência, geneticamente determinada, da enzima que faz a síntese do ácido L-ascórbico a partir da glicose. Uma das enzimas que participam do processo é a L-galactono-1,4-lactona desidrogenase (GLDHase), que catalisa a última etapa da biossíntese, correspondendo à oxidação do substrato L-galactono-1,4-lactona a ácido L-ascórbico. O ácido L-ascórbico é vital para o funcionamento das células, e isso é particularmente evidente no tecido conjuntivo, durante a formação do colágeno. Na pele, colágenos tipos I e III contribuem com 85 a 90% e 8 a 11% do colágeno total sintetizado, respectivamente.  Além de atuar como importante co-fator para as enzimas lisil e a prolil hidroxilases, que permitem a formação e estabilização do colágeno de tripla hélice e posterior secreção como procolágeno, tem sido demonstrado que a vitamina C regula também a síntese de colágeno tipo I e III, pelos fibroblastos dérmicos humanos. Estudos conduzidos com cultura de fibroblastos de pele humana demonstraram que o AA estimularia a síntese de colágeno preferencialmente sem afetar a síntese de proteínas não colágenas.

4) Conclusão

           À medida que a pele envelhece, a derme torna-se fina,e seu conteúdo de colágeno diminui. Essas alterações são aceleradas pela exposição aos raios UV, de forma crônica. A radiação UV gera a formação de radicais livres. Por sua ação na biossíntese de colágeno e por seu efeito redutor de radicais livres, a possibilidade de liberar doses farmacológicas de ácido L-ascórbico via percutânea apresenta-se como uma interessante e importante terapêutica. Comparando as duas vias de administração, oral e percutânea, ambas de 1g/dia, observou-se melhor resultado em relação ao clareamento da pele com o uso tópico da medicação. Além dessa observação, os autores perceberam que os níveis da vitamina nos locais de aplicação tópica, em comparação com os relativos à vitamina utilizada por via oral, foram mais elevados. Os radicais livres gerados a partir da irradiação solar, do fumo, poluição, etc. causam oxidação dos ácidos nucléicos, proteínas e lipídios, alterando o DNA, e resultando em fotoenvelhecimento e fotocarcinogênese. O organismo humano protege-se naturalmente utilizando antioxidantes para neutralizar os efeitos nocivos dos radicais livres. A vitamina C é o antioxidante mais abundante no organismo, especialmente na pele. É conhecida a importância do ácido L-ascórbico tópico como eficiente neutralizador dos radicais livres.

 5) Referências:

DEVLIN, T.M. Manual de Bioquímica com Correlações Clínicas. Tradução da 6ªed. Americana. São Paulo: Editora Edgard Blücher Ltda., 2007.

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0365-05962003000300002

http://www.bv.fapesp.br/pt/auxilios/2806/sintese-de-vitamina-c-em-morangos-atividade-e-expressao-da-enzima-l-galactono-14-lactona-desidrogena/

http://qnint.sbq.org.br/qni/visualizarTema.php?idTema=11

 

 

 

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