Prof.Dr.Luis Carlos Figueira de Carvalho

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Ácidos Graxos

Ácidos Graxos

Papel chave do metabolismo de ácidos graxos no diabetes tipo 2: Um tributo a J. Denis McGarry

 

Pesquisa realizada por:: MAIARA LEAL DE MOURA

DISCIPLINA BIOQUIMICA METABÓLICA. CURSO DE MEDICINA. UEMA. CAXIAS-MA

 

Os ácidos graxos são cadeias alquila de carbono que terminam em um grupo carboxílico. No ser humano são encontrados principalmente os saturados ou com uma dupla- ligação, sendo que neste caso o ácido oléico é o mais comum.

A maioria dos ácidos graxos no homem é encontrada na forma de ésteres de glicerol, sendo predominantes os triacilgliceróis, os quais são moléculas insolúveis de lipídeos usadas na constituição das membranas biológicas, na regulação da temperatura corporal e destacadamente no armazenamento de energia. Nesta função é inclusive mais predominante e eficiente que o glicogênio.

Os ácidos graxos podem ser provenientes dos triacilgliceróis da alimentação, que são degradados no estômago ou no intestino delgado. Determinados ácidos graxos também podem ser produzidos no fígado a partir do excesso de carboidratos e de aminoácidos.

No organismo, boa parte desses ácidos é armazenada como triacilgliceróis no tecido adiposo, os quais são catabolizados quando há demanda de energia.

Dessa forma, o equilíbrio entre síntese e hidrólise de triacilgliceróis é fundamental para ajudar a garantir reservas adequadas de energia. O desequilíbrio nesse mecanismo pode ter sérias consequências patológicas no homem, como a obesidade, podendo neste caso ocasionar o desenvolvimento de diabetes tipo 2.

 J. Denis McGarry foi de grande importância no estabelecimento da relação entre metabolismo de ácidos graxos e diabetes tipo 2. Até então o diabetes era amplamente visto fundamentalmente como consequência do desequilíbrio no metabolismo de carboidratos, devido a constatação da doçura típica da urina dos diabéticos( glicosúria). Mas, McGarry notou que além deste aspecto, a urina dos mesmos possuía forte odor de acetona. Esta é uma importante percepção no diabetes tipo 2, que está associada com obesidade e resistência à insulina.

O triacilglicerol é um combustível extremamente importante, particularmente durante o jejum e também porque possibilita a economia de combustível. Neste mecanismo, a gordura é metabolizada no lugar do suprimento limitado de glicose. Isso é possível porque os ácidos graxos, provenientes da degradação do lipídio em questão, inibem a utilização de glicose no músculo esquelético. Nesse sentido, segundo a hipótese de Randle, a oxidação dos ácidos graxos bloqueia o metabolismo de glicose por inibir enzimas regulatórias chaves envolvidas no uso da glicose pelo organismo, e ainda inibe a síntese de glicogênio no músculo esquelético. Os ácidos graxos

também diminuem significativamente a captação de glicose do sangue ao bloquearem o recrutamento de GLUT 4 do retículo endoplasmático para a superfície celular.

Apesar da importância da economia de combustível para a sobrevivência, a mesma ocasiona desvantagens na obesidade. Os obesos geralmente possuem elevada quantidade de ácidos graxos no sangue. Com base no efeito Randle, isso ocasiona redução da captação de glicose no sangue e diminuição do metabolismo de glicose no músculo esquelético.

A exposição grave à glicose e aos ácidos graxos livres (AGT) estimula a secreção de insulina (feedback positivo). Entretanto, a exposição crônica e concomitante a ambos pode ocasionar a inibição da secreção de insulina, visto que, a elevação do pool de ácidos graxos livres na circulação pode alterar a atividade de enzimas e de proteínas que atuam na liberação da insulina.

 Com o aumento do nível de glicose no sangue, de início ocorre elevação na secreção de insulina, que entretanto neste caso se torna ineficiente na redução do nível de glicose no sangue (resistência à insulina). Para compensar tal efeito, há elevada atividade prolongada de células B, o que pode levar à insuficiência das mesmas, resultando em diabetes tipo 2. No caso dos obesos, é válido ressaltar que nem todos desenvolverão diabetes tipo 2, mas existe uma probabilidade maior.

A cetonúria nos diabéticos percebida por McGarry acontece porque, devido à ineficiência na utilização da glicose como fonte de energia, passa a ocorrer mais intensamente a degradação de ácidos graxos no fígado. Neste processo há a produção de corpos cetônicos, de ácido acetoacético e de ácido B-hidroxibutírico, a partir do acetil- CoA. Os corpos cetônicos são uma importante forma de adaptação ao jejum prolongado, sendo utilizados como fonte de energia em muitos tecidos, inclusive pelo cérebro após três dias de jejum. Entretanto, também estão relacionados com a cetoacidose diabética.

Em boa parte dos casos a resistência à insulina é reversível, especialmente nos estágios iniciais. Para que isso ocorra é fundamental a de perda de peso, a realização de atividade física regular e adoção de hábitos saudáveis, que podem diminuir a elevada quantidade de ácidos graxos no sangue e seus efeitos no organismo.

Nesse sentido, a reesterificação de ácidos graxos à triacilgliceróis seria um fator importante na regulação de sua concentração no sangue, fato observado pelo J. Denis McGarry. Vale ressaltar que este é um mecanismo importante no desenvolvimento e atuação de drogas antidiabéticas atualmente. Portanto, McGarry foi extremamente importante no estudo da diabetes tipo 2 e de sua relação com metabolismo de ácidos graxos, permitindo maior conhecimento a cerca da doença, aumentando-se assim a possibilidade de tratamento eficaz.

REFERÊNCIAS:

HABER, Esther P. et al. Secreção da insulina: efeito autócrino da insulina e modulação por ácidos graxos. Arquivos Brasileiros de Endocrinologia & Metabologia, v. 45, n. 3, p. 219-227, 2001.

DEVLIN, T. M. Manual de bioquímica com correlações clínicas. 7° ed. São Paulo: Blucher. 2011.

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